Existe um ponto dentro de nós que determina tudo o que vem a seguir. Um vértice silencioso. Um lugar de origem a partir do qual emanam a nossa perceção, as nossas escolhas e as nossas respostas.
Na linguagem espiritual e energética, é isto que entendo como posicionalidade: o lugar a partir do qual nos posicionamos dentro de nós mesmos.
Não é geográfico.
Não é social.
Nem sequer é psicológico no sentido convencional.
É o centro interior subtil a partir do qual a nossa frequência interior irradia para o mundo. Cada interação que experienciamos, cada reflexão oferecida por outra pessoa, cada circunstância, cada aparente desafio ou graça — encontra-nos na posição que ocupamos dentro de nós mesmos. A partir dessa postura interior, o nosso campo reverbera para fora e recebe de volta o seu eco. Se a nossa posição estiver enraizada em clareza, presença e responsabilidade, as reverberações que regressam até nós tendem a amplificar essas mesmas qualidades. O ambiente espelha coerência e potencial.
Se a nossa posição estiver enraizada no medo, na contração ou em hábitos inconscientes, os ecos que recebemos frequentemente reforçam essas mesmas frequências mais baixas. A vida está constantemente a responder ao lugar onde estamos posicionados internamente.
Recentemente, ao aprofundar os meus estudos no campo da Psychedelic-assisted therapy e da exploração consciente de estados alterados de consciência, um colega partilhou uma passagem de Clarissa Pinkola Estés, a psicanalista junguiana cuja obra Women Who Run With the Wolves explora de forma bela a inteligência arquetípica da psique feminina. A sua escrita toca algo antigo e familiar: a profunda inteligência do Yin. A força silenciosa, intuitiva e recetiva que se move através da suavidade, da paciência e da escuta profunda.
Mas o Yin não existe isoladamente. Está sempre em diálogo com o Yang — a força da direção, da afirmação, da estrutura e da determinação.
Onde o Yin escuta, o Yang age.
Onde o Yin recebe, o Yang dá forma.
Onde o Yin guarda o mistério, o Yang manifesta a forma.
A harmonia entre estas forças não é estática; é uma negociação viva. Uma dança de complementaridade onde a gentileza e a força se informam continuamente uma à outra. Durante uma meditação recente, senti o impulso de gravar esta passagem e escutá-la repetidamente, não apenas como palavras a compreender, mas como uma frequência a absorver. Um lembrete para estabelecer esta sabedoria não apenas no pensamento, mas também na memória do corpo. Deixar que a mensagem se instale nas células.
E pareceu-me natural partilhá-la aqui, porque a sabedoria, tal como o oceano, não pertence a uma única gota.
Como disse Rumi:
“Não és uma gota no oceano.
És o oceano inteiro numa gota.”
Ouve: “We Were Made for These Times”, texto de Clarissa Pinkola Estés – áudio por Margaret Rosania.